A gratuidade favorece os moradores de Paquetá, sem dúvida, mas é um subsídio dado pelo governo. E o que é um subsídio? Para quem não domina o conceito, lá vai. Ao subsidiar um bem ou serviço, o governo passa a remunerar o produtor em função de preços mínimos que deseja praticar num determinado mercado, ou seja, através de sua política fiscal, transfere recursos públicos para que os preços, no caso a gratuidade, possa ser praticada sem prejuízo para a empresa Barcas S.A. No nosso caso, aí reside o problema .... Vamos por partes:
1- O consórcio que formou a Barcas S.A. detém, por concessão, o monopólio do serviço de transportes para Paquetá. Como é a regulamentação e a "gestão" dessa concessão e os critérios para sua renovação? Creio que o Deputado-PT-RJ Gilberto Palmares poderia nos auxiliar, pois faz muito tempo que ele está a frente de uma luta para a melhoria dos transportes na Baía de Guanabara.
2- A gratuidade beneficia a nós moradores e veranistas, é certo, mas não implica em melhoria do serviço oferecido. Lutar por um transporte melhor e por um alternativo, do meu ponto de vista é importante, pois o intervalo entre as barcas é muito longo, assim como a duração da viagem. Dado que a Baía está lotada de embarcações, em função do crescimento da economia brasileira, não há como imprimir maior velocidade para uma embarcação pesada, como as lanchas que servem à Ilha.
3- Normalmente, vou para Paquetá no sábado, na barca de 13:30hs, e fazem dois sábados que assisto a uma grande confusão na passagem das roletas. O motivo? Compras dos moradores de Paquetá e também bagagens dos "veranistas".
4- Fui falar com um funcionário da Barcas S.A. e ele, educadamente, me deu a seguinte explicação: se passar sem problema na roleta, o usuário não tem que pagar a bagagem; se não passar, implica excesso, logo a bagagem deve ser paga, assim como bicicletas, etc..
O que é justo e o que é injusto? Um dos problemas é que este critério afeta a população de renda mais baixa de Paquetá, sem dúvida. Entretanto, a quantidade de compras que vi trazerem, principalmente, porque era início de mês e havia uma boa oferta num supermercado popular, causa também alguns transtornos para a operação das embarcações e é desagradável para visitantes e veranistas. Enfrentei fila grande, já em cima da hora, pois uma senhora passou mais de 20 sacolas pela roleta; depois, um senhor entrou com 5 pacotes de papel higiênico, cada um de 12 rolos, dentre outras sacolas de compras; outro casal, entrou com uma caixa de TV de 32", e a moça não tinha forças para erguê-la; e como se não bastasse, pois o tumulto foi grande, atrasou a partida e a viagem foi infernal, com todo mundo falando alto e exaltado.
Longe de mim querer elogiar a Barcas S.A., não é isto! Mas creio que há excessos de ambos os lados. Se eu sou um turista, não quero fazer uma viagem de lazer com um monte de gente exaltada, falando muito palavrão e alto, e na hora de embarcar e desembarcar ter ainda que enfrentar uma grande confusão por conta de sacolas e do transporte de objetos vantajosos. Se sou morador, tenho que utilizar o único transporte existente, é verdade, mas creio que teria que haver um bom senso. A gratuidade é um benefício, e não sei como ficou o repasse acordado com a Barcas S.A., mas o transporte de bagagem não tem que ver com a gratuidade, mas sim com o excesso do que está sendo transportado. É assim em outros meios de transportes públicos, no Brasil e no mundo. Levamos um monte de coisas que não podemos carregar no Metrô? Não!!! Levamos o que bem entendemos em avião? Não!!! Então, o que pode ser levado nas lanchas de Paquetá? Em princípio, tudo, mas como passar pela roleta sem causar transtorno?
Eu, por exemplo, tenho trazido a minha gata Tutuca num carrinho. A caixinha dela, como é grande, não passa na roleta. Seu eu for parar para desatar e levantar a caixa, depois pegar minhas sacolas, pois normalmente venho com duas, eu paro a roleta nesta operação. Tenho pago a minha "bagagem" peluda, e passo com a minha gratuidade e sacolas pela roleta. No dia do tumulto, não vi ninguém tentar barrar carrinhos e malas que tranquilamente passavam na roleta. Mas vi barrarem carrinhos cujo morador, além dele, tinha que passá-lo e depois se virar para pegar inúmeras sacolas de supermercado.
Independente da opinião que eu tenho, a Regina Linhares fez uma consulta ao Gilberto Palmares e o que ele respondeu está postado no Fala Paquetá!
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